Um estudo desenvolvido pelo Centro de Biotecnologia dos Açores (CBA) da Universidade dos Açores, identificou a existência de um ecótipo de abelha açoriana, particularmente presente na ilha de Santa Maria.
A investigação foi divulgada numa altura em que se assinala o Dia Mundial da Abelha e resulta de um trabalho de caracterização genética realizado através da comparação de ADN, onde se conclui que as abelhas dos Açores possuem uma base genética da Apis mellifera iberiensis, apresentando características próprias moldadas pelo clima e pela flora do arquipélago:“Na ilha de Santa Maria nós vamos encontrar um grau de pureza extremamente elevado dos noma iberiensis, mas que, no entanto, se distancia das iberiensis do continente (…) e distancia-se por causa de 600 anos de isolamento”, afirmou o investigador do CBA, Artur da Câmara Machado.
O responsável esclarece que não se trata de uma raça criada pelo homem, mas sim de um ecótipo moldado pelas condições naturais do arquipélago.
Depois desta identificação, o próximo passo passa pela entrega de um documento à Direção Regional da Alimentação e Veterinária, com o objetivo de pedir o reconhecimento oficial desta população como uma subespécie específica dos Açores.
A proposta pretende incentivar a propagação desta abelha adaptada às condições locais e reduzir a importação de outras subespécies. Artur Machado defende ainda uma maior aposta na plantação de árvores de fruto endémicas nas bermas das estradas e em espaços públicos, sublinhando o papel essencial das abelhas para a agricultura e para o equilíbrio dos ecossistemas.

