A Universidade dos Açores acolheu, hoje, dia 15 de maio, no Anfiteatro VIII do campus de Ponta Delgada, a conferência “Por que a Ucrânia Importa”, uma iniciativa dedicada à reflexão sobre os desafios políticos, humanos e sociais decorrentes do atual contexto internacional.
A sessão contou com a participação da Embaixadora da Ucrânia em Portugal, Maryna Mykhailenko, acompanhada por Pavlo Klimkin, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia.
Na abertura da sessão, a Magnífica Reitora da Universidade dos Açores destacou o papel das universidades em tempos de incerteza global, sublinhando que estes espaços devem promover não apenas o conhecimento, mas também a consciência crítica, a responsabilidade moral e os valores partilhados: “A conferência convida-nos a olhar para além da superfície dos acontecimentos atuais e a refletir sobre as questões mais profundas que estes revelam”, afirmou.
Ao longo da intervenção, Susana Mira Leal salientou que a discussão em torno da Ucrânia ultrapassa questões geopolíticas ou estratégicas, remetendo para temas universais como soberania, liberdade, direitos humanos e responsabilidade coletiva. De acordo com a líder da academia: “A Ucrânia importa porque as pessoas importam”, acrescentando que, por detrás de cada manchete, existem vidas interrompidas, famílias separadas e futuros incertos.
Destacando a ligação entre a realidade internacional e a comunidade académica açoriana, referiu ainda que: “A distância não nos dispensa de atenção; pelo contrário, exige uma solidariedade mais consciente, baseada na compreensão e no diálogo”.
A Reitora recordou também que a Universidade dos Açores acolhe atualmente estudantes ucranianos e manifestou a intenção de reforçar futuras iniciativas de cooperação académica e científica com instituições da Ucrânia.
O Professor Doutor Carlos Amaral, também interveniente na sessão, destacou a importância de refletir sobre o impacto dos conflitos no contexto internacional atual, lembrando que a guerra continua a marcar as relações entre Estados e a afetar sociedades em todo o mundo. Sublinhou ainda que, mesmo longe dos cenários de conflito, os seus efeitos fazem-se sentir também nos Açores e na Europa. Considerou, por isso, um privilégio receber na Universidade convidados com experiência diplomática e política para debater a importância da Ucrânia no atual contexto global.
Durante a sua intervenção, Maryna Mykhailenko agradeceu o apoio prestado por Portugal ao povo ucraniano desde o início da guerra, destacando a solidariedade demonstrada pela sociedade portuguesa. Apesar das dificuldades, mencionou ainda a capacidade de resistência e adaptação da Ucrânia, sublinhando o fortalecimento do país ao longo dos últimos anos, nomeadamente ao nível da inovação e produção tecnológica e militar.
Já Pavlo Klimkin centrou a sua intervenção na dimensão identitária do conflito, defendendo que a guerra representa uma ameaça à existência da Ucrânia enquanto nação, cultura e povo. O antigo ministro destacou ainda que esta é uma guerra que ultrapassa fronteiras nacionais, refletindo uma disputa mais ampla sobre os valores, a liberdade e o modelo de sociedade que definirá o futuro europeu.
A sessão terminou com um momento de perguntas e respostas, promovendo o diálogo entre os convidados e a comunidade académica presente.













