Entrevista de Eduardo Marques ao Açoriano Oriental: Dar voz aos assistentes sociais durante a pandemia!

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Em entrevista ao Jornal Açoriano Oriental, publicada na edição de 22 de março, Eduardo Marques, professor auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade dos Açores e diretor da licenciatura em Serviço Social, destaca o papel dos assistentes sociais no combate ao stress psicossocial vivido pelas pessoas em situação de vulnerabilidade e risco social, face à pandemia do Covid-19.

Sendo o serviço social uma profissão comprometida com o bem-estar de indivíduos, famílias, grupos e comunidades, a ação dos Assistentes Sociais assume particular importância na luta contra o impacto da Covid-19, priorizando o trabalho de modo a garantir apoio às populações de alto risco, designadamente as que se encontram sem casa, crianças e idosos institucionalizados ou isolados mais vulneráveis em termos de saúde e de segurança alimentar. Informar, sensibilizar, motivar para a importância da prevenção da doença e combater a desinformação, os medos e as incertezas de forma a reduzir a ansiedade e o stress das populações fazem também parte do papel dos assistentes sociais.

Para Eduardo Marques, a intervenção em catástrofes é uma das áreas da prática profissional dos assistentes sociais que mais vai crescer nos próximos anos, embora seja já uma prática corrente em muito países, embora ainda longe de estar regulamentada e institucionalizada de forma clara a nível nacional e internacional.

À margem da entrevista, em declarações ao Açoriano Oriental a que o jornal dá destaque, Eduardo Marques revelou que  “a direção do Curso de Serviço Social da UAc, reconhecendo as dificuldades e os desafios que estão a ser vividos pelos profissionais de serviço social na região, no país e no mundo, decidiu fazer uso dos seus recursos para desenvolver um projeto de investigação de grande urgência e necessidade”. O projeto “Conhecer para agir em emergência de saúde pública – Covid-19” junta investigadores e organizações de Itália, Espanha e Portugal, fazendo parte desta rede de investigação o Consiglio Nazionale dell’Ordine degli Assistenti Sociali (CNOAS), a Fondazione Nazionale degli Assistenti Sociali (FNAS), a Universidade Pablo Olavide, o Colegio Oficial de Trabajo Social de Sevilla, a Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED), a Universidade da Extremadura (UEx), o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, a Secretaria Regional da Solidariedade Social e a Casa de Saúde de São Miguel – ISJD, tendo sido já lançado um questionário que está a ser aplicado nos três países envolvidos, dirigido aos assistentes sociais no ativo, assim como àqueles que de momento não estão a trabalhar por estarem desempregados ou aposentados, mas que considerem ser útil responder dado a sua experiência passada que poderá ser replicada em situações semelhantes no presente ou no futuro e que já conta com cerca de 15.600 questionários recolhidos em Itália e em Portugal. O mesmo estudo recebeu também destaque no Público na edição do dia 11 de maio.

Revelou, também, que brevemente vai sair o primeiro livro sobre o tema em Portugal “Serviço Social em Catástrofes e Grupos Vulneráveis” da Pactor Editora, no qual a Universidade dos Açores participa em dois capítulos.

Açoriano Oriental

O Público

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